“Eu fui massa de manobra”, diz vereador sobre Usina de Asfalto

Matheus Augusto

A Câmara de Divinópolis votou ontem apenas um projeto – o primeiro aprovado com o novo sistema biométrico –, protocolado pelo vereador Dr. Delano (MDB): a nomeação de Lili José de Carvalho à praça Dois, no bairro da Luz, ainda a ser construída. A proposta, em homenagem ao pai do líder do Governo na Câmara, Eduardo Print Jr. (Solidariedade), recebeu 16 votos favoráveis.

Discursos

Segundo a pronunciar, o vereador Josáfa Anderson (Cidadania) apresentou os resultados do encontro com o secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra), Marco Aurélio de Barcelos Silva, ocorrido na quarta-feira, 11.

— Saí satisfeito desta reunião, mas com algumas interrogações e trabalhos a serem iniciados e continuados, como a questão da passarela. Os alunos vão ter que conviver, momentaneamente com esta travessia dentro da trincheira. Já estive na Nascentes das Gerais hoje [ontem] e amanhã [hoje] tenho uma reunião para acompanhar o passo a passo — pontuou.

Segundo o vereador, algumas localidades onde a AB Nascentes das Gerais atua na execução de obras carecem de sinalização.

— As duas trincheiras da JK foram entregues, e estamos satisfeitos, estive no local ontem e hoje. A questão ali é a sinalização e a falta também de uma passarela, mas a gente vai trabalhar para isso — declarou.

Josafá também citou que as obras do Icaraí foram comprometidas pela necessidade de reajustar a documentação de transferência de terreno. Após a identificação do problema, o parlamentar aguarda a readequação burocrática para a continuidade do projeto no local e citou outros avanços na região.

— Dia 15 agora, vão ser retirados os postes próximo ao Gafanhoto, e isso vai dar condições de prosseguir a obra de duplicação, que vai desafogar aquele absurdo que é a entrada do bairro Icaraí/Centro Industrial — comentou.

Durante o encontro com o secretário, também ficou definida uma parceria com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) para a retirada da adutora no bairro Quintino e reinício das obras. Outro localidade abordada durante a reunião foi a avenida Ibirité. Como prometido, a empresa mudará o tráfego de veículos para a pista principal.

— Vai dar condições dos funcionários trabalharem do outro lado da pista, onde fica o problema sério, pois, quando chove, inunda tudo — ressaltou.

Em nota, a Nascentes das Gerais informou que, em continuidade às obras de duplicação da MG-050 e à interligação da avenida Ibirité, hoje, o tráfego da rodovia, no sentido de Belo Horizonte, será desviado para a nova pista duplicada, na altura do quilômetro 125. A pista marginal e o acesso à via serão bloqueados provisoriamente para a implantação de uma rotatória no local.

— A alternativa de acesso e saída à região do bairro Alvorada acontecerá no quilômetro 125, após o Parque da Serra no acesso existente. A concessionária também prevê liberar, na próxima terça-feira, 17, as novas pistas no sentido de São Paulo — informou.

Fora do ar

Outro tema abordado durante a reunião foi a interrupção nas transmissões das reuniões na Câmara por se tratar de ano eleitoral. O vereador Roger Viegas (Pros) lamentou a decisão e solicitou ao presidente da Câmara, Rodrigo Kaboja (PSD), que voltasse atrás.

— Se transmitimos durante todos os três anos, agora, o ano em que a população está mais atenta, em cima da política, vai cortar? O que eles [cidadãos] vão pensar? Que estamos escondendo algo — ressaltou.

Roger ainda disse que, se tratando de ano eleitoral, a não transmissão das reuniões nivela os atuais vereadores abaixo dos pré-candidatos. Além do apoio de Janete Aparecida (PSD), que declarou ser um pedido da população a solicitação de Roger, Matheus Costa (Cidadania) fez coro à fala do colega.

— Eu acho que nós precisamos reunir mais sobre esse assunto para não ser uma decisão presidencialista, mas, sim, de toda a Casa Legislativa — pediu.

Usina não vem, mas

continua em pauta

O prazo para a Prefeitura aceitar a emenda do senado Carlos Viana (PSD) para a compra da Usina de Asfalto já se encerrou, conforme informou o articulador do recurso, Cleitinho Azevedo (Cidadania). No entanto, o tema voltou ao Plenário por meio do seu colega de partido. Segundo Matheus Costa, o prefeito Galileu Machado (MDB) perdeu uma oportunidade única de se isentar da responsabilidade dos buracos na cidade.

— O prefeito poderia ter lavado suas mãos, aceitado a Usina de Asfalto e, em poucos dias, começar a cobrar de mim e do deputado Cleitinho: “Aceitamos a usina, mas cadê a recuperação da massa asfáltica. Cadê, Cleitinho, a solução? Você tinha a varinha de arrumar o asfalto de Divinópolis”. Só que, por falta de diálogo entre a base e a oposição, pessoas que pensam diferente do Executivo, infelizmente, [a Prefeitura] deu mais esse tiro nesse pé, porque poderiam ter colocado os buracos em Divinópolis nas minhas costas e do Cleitinho — argumentou.

Na época, o vereador chegou a elaborar um ofício demonstrando o apoio dos edis à implantação da usina. O documento contou com 15 assinaturas, dentre elas, a de Cesár Tarzan. Em seu pronunciamento, Tarzan voltou atrás e disse que, na época, comprou a ideia da usina como solução para os problemas enfrentados, em especial, por bairros como Grajaú, Costa Azul, Candelária e outros. Ele ainda citou ter recebido mensagens mostrando publicações de moradores de Juiz de Fora – uma das cidades citadas pelos apoiadores da estrutura para justificar o sucesso da usina – reclamando de buracos.

— Lá tem Usina de Asfalto, não tem buraco, é tudo um tapete? Trouxeram a cidade de Juiz de Fora para discutir Divinópolis, falando que lá tem Usina de Asfalto e, se ela viesse para cá, os problemas seriam resolvidos — frisou.

Por fim, Cesár Tarzan afirmou que foi induzido a acreditar na viabilidade e eficiência da usina.

— Eu fui enganado, porque quando eu ouvi aqui que Juiz de Fora tem Usina de Asfalto e que os bairros carentes teriam seus problemas resolvidos pela Usina de Asfalto, eu visitei o prefeito para brigar com ele. Eu fui massa de manobra, igual muitas pessoas que compartilharam isso, achando que ia resolver os problemas da cidade — declarou.

Empresa ganha licitação mesmo sem estrutura

Ainda sobre buracos, os vereadores Roger Viegas (Pros) e Nego do Buriti (PEN) denunciaram uma situação singular: a existência de duas máquinas paradas nas comunidades rurais, uma em Buritis e outra em Djalma Dutra. Nego reforçou a cobrança para que a Secretaria Municipal de Agronegócios (Semag) esclarecesse a situação.

— Eles deveriam arrumar umas patrol boas, não essas sucatas que estão lá, que trabalham meia hora e não aguentam — criticou.

A resposta para as máquinas paradas, mesmo com as más condições das vias nas zonas rurais, foi dada pelo líder do governo na Câmara. Eduardo Print contou que a Prefeitura realizou, em caráter emergencial, a contratação de três patrol com ano mínimo de 2015.

— A empresa não tem máquina disponível para mandar para Divinópolis. Ela participou da licitação, ganhou, mas não tem o maquinário para fornecer no período que Divinópolis queria — destacou.

Diante da situação, a empresa terceirizou o serviço.

— Quando as máquinas chegaram, a população, que não é boba e faz seu papel de fiscalização do dinheiro público, detectou que o maquinário era velho. A equipe da Semag resolveu paralisar as máquinas para que fossem apurados os anos das máquinas, que são de 2016, 2014 e outra 2010 — explicou.

Por fim, Print informou que a paralisação do maquinário não gera custos à Prefeitura.

— O Município aguarda a empresa se manifestar sobre isso para tomar as medidas cabíveis — concluiu.

Segurança

Esse foi outro tema abordado durante o encontro. Marcos Vinícius (Pros) relatou ter participado da última reunião da Associação Comunitária para Assuntos de Segurança Pública (Acasp). Na oportunidade, ele falou às forças de segurança presentes a necessidade de aprimorar o combate à criminalidade.

— A sociedade está evoluindo, o crime organizado está evoluindo e os recursos tecnológicos também precisam avançar neste sentido. O que é produzido pelas forças de segurança pública tem que estar à frente da bandidagem — disse.

Apesar de reconhecer os bons frutos do sistema Olho Vivo, o vereador destacou a importância de implantar novas tecnologias.

— É um sistema que já está completamente obsoleto, defasado, aquém de uma realidade que se mostra com maiores demandas. Não houve acompanhamento tecnológico. O Olho Vivo ficou estagnado, trouxe resultados interessantes, mas faltou avançar mais — pontuou.

Por fim, o vereador contou ter apresentando um novo sistema disponível novo mercado para avaliar a possibilidade de implementação na cidade.

— Tecnologia de ponta que traz, através de totens, ostensividade, e tem botão de emergência, sirene giroflex, mensagens de áudio, comunicador de alta intensidade, câmeras 360°, câmera speed drone, leitor de placa, blindagem, sensor de vandalismo e várias outros inovações que, na hora certa, que é agora, vão trazer realmente um ganho muito grande para a Segurança Pública — finalizou.

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