É dura

 

Preto no Branco

A realidade vivida atualmente em relação à covid-19 no Brasil é catastrófica, mas não é somente em relação ao sofrimento que assola milhares de brasileiros. É principalmente pela falta de planejamento, estrutura, boa vontade e subestimação à doença. A "gripezinha" transformou o país no pior do mundo em transmissibilidade e vem ceifando a cada dia milhares de vidas e contaminados. O resultado é falta de insumos básicos. Levantamento do próprio Ministério da Saúde aponta que todos os estados brasileiros e o Distrito Federal estão em "estoque crítico" de abastecimento. Anuncia que o governo federal vai receber importação de itens por meio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Ok. Se for mesmo, quando? Até lá, quantas pessoas que estão precisando dos procedimentos com urgência vão resistir?

O principal 

A exemplo dos demais municípios capitais, em Divinópolis a principal demanda é de medicamentos para intubação. A Secretaria de Saúde até comprou de empresas do Sul de Minas, onde existem fábricas, porém, o Ministério confiscou os medicamentos sob alegação de que em outras cidades a necessidade é maior. Claro que tem, sim, mas será que o novo ministro e seus auxiliares têm conhecimento da gravidade enfrentada por Divinópolis e mais 53 municípios? Que quase 200 pessoas estão na fila à espera de um milagre? É bem provável que não, visto que, para eles, os grandes centros vêm em primeiro lugar. Agora, se quer comprar, que tenha a competência de ir pelo menos na frente, não confiscar de quem foi chegou primeiro e tenta desesperadamente salvar vidas de centenas de pacientes que agora ficam à mercê da data – ainda não tem – para a chegada de uma possível remessa de fora. É muito sofrimento para um povo que há muito padece sem nenhuma perspectiva de melhora.

Reforço urgente 

Outra falta faz a situação se agravar ainda mais: a de profissionais de saúde para dar conta da demanda crescente. Nesta questão, as autoridades de Saúde em Minas não veem outra saída, a não ser a convocação de voluntários e a contratação de estudantes e aposentados. Esta é a mais nova alternativa do Estado para reforçar as equipes da linha de frente contra a covid-19. Essas medidas se tornarão possíveis por meio de projeto de lei aprovado em turno único, com alterações, durante reunião extraordinária realizada nesta terça-feira, 30, pelo Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A aprovação possibilita a ampliação dos serviços de saúde por meio da convocação de profissionais voluntários; contratação de estudantes da área de saúde; de serviços de saúde por meio de credenciamento de pessoa física ou jurídica; e a contratação temporária de profissionais da área de saúde aposentados. Do jeito que está, realmente, esta é a única solução no momento. A torcida para que dê certo o mais rápido possível já começou. 

Elas de novo

Condenável em qualquer momento, mas principalmente neste. O que ninguém precisa e merece agora é ser vítima de notícias falsas. Mas, por mais que pareça improvável, tem muita gente se aproveitando da dor do outro para disparar notícias falsas. O lamentável é que também muita gente, mesmo tendo conhecimento da prática, ainda cai. Além disso, boa parte da população não tem acesso e não sabe procurar as informações em fontes confiáveis. Quantos sofrem por isso e também contribuem para espalhar mais sofrimento? Quanta insensatez, quando a morte beira a todos sem distinção! Mas esperar de quem aglomera, não usa máscara e não está nem aí para o próximo é querer demais. 

Irreparável 

E não poderia encerrar esta coluna sem falar da perda lamentável da nossa colega de profissão Carla Carneiro. Como milhares no Brasil, ela foi vítima da covid-19, doença que muitas vezes ela falou em suas redes sociais sobre a importância dos cuidados. E foi exatamente em consequência dela que a jornalista se foi, nos deixando imensamente tristes. 

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