É do outro

Esta é a resposta que a maioria dos brasileiros dá quando é questionada por algum ato. A culpa sempre é do outro. Ninguém assume suas ações porque culpar outra pessoa ou instituição é mais fácil. A população enche as ruas e os bueiros de lixo, quando chove eles entopem e causam enxurradas e enchentes, mas a culpa é da Prefeitura que não limpou. E a nossa responsabilidade como cidadãos, como fica? Viu como começa a fazer sentido a bagunça que o país se tornou?

É do projeto

Aumentou de forma assustadora o número de feminicídios no início de 2019. Outros assassinatos nem se fala, somente em Divinópolis, são 15.  E olha que março nem terminou. Dois descontrolados entram na escola atirando e matam dez. De quem é a culpa? Do projeto do governo de Jair Bolsonaro que pretende armar a população? O presidente não foi na casa de nenhum deles monitorá-los (responsabilidade dos pais) ou armá-los. O caráter de uma pessoa é formado em casa, desde criança. Não é função das escolas ou terceiros. Quebrou a base, saltou ou faltou alguma etapa, o futuro responde de forma dolorosa.

É dos governadores

A construção do Hospital Público Regional começou em 2010 e está parada desde fevereiro de 2016. Mesmo com 60% das obras e muito blá blá blá, nenhum sinal de que a unidade de saúde seja finalizada. E dá-lhe discursos. A responsabilidade é do Antonio Anastasia (PSDB), que anunciou e prometeu entregá-lo. Foram-se dois mandatos e nada. Não é de Alberto Pinto Coelho, vice do tucano, que assumiu quando ele foi para o Senado. Ele veio à cidade anunciou milhões e, adivinhe... De jeito nenhum. A culpa é de Fernando Pimentel (PT) que não terminou. Será? Não é nossa, que não moveu nenhuma palha para ir atrás deles cobrar?

É do dinheiro

A desculpa esfarrapada da Secretaria de Estado da Saúde (SES) é que as obras ficarão em torno de R$ 100 milhões, e que mais de R$ 60 milhões já foram investidos na construção. Resultado? O Estado está falido e não tem dinheiro para terminar. Além dos recursos, faltou principalmente a nossa responsabilidade em fiscalizar o dinheiro público. É assim, então? O político fala que gastou x e a população acredita como se ele fosse exemplo de castidade e fica por isso mesmo? O pior é que fica. As falcatruas, a corrupção no Brasil, são simplesmente resultado da nossa inércia. Simples assim.

É do PT

O governo Romeu Zema (Novo) está enrolado até o pescoço. Os prefeitos já até cogitam pedir seu impeachment pela falta de repasses dos recursos destinados às prefeituras. O culpado por Minas estar nesta situação é do desmando do governo do PT. Assim, ele e opositores ao partido explicam a situação. Porém, ninguém tem coragem de ir no ‘pé do toco’ e reivindicar a cifra milionária que a União deixou de repassar ao Estado e ainda deve. É mais simples culpar o antecessor. Sentar-se em uma cadeira e ir para as redes socais ou jogar cuspe no microfone aos berros é tão mais cômodo. Assim, se evita desgaste político, físico e mental.

 É da polícia

Assassinos, ladrões, estupradores são presos pela polícia e, no outro dia, ou no tardar em um mês, estão soltos nas ruas rindo dos policiais que o prenderam e cometendo mais crimes. É muito mais esbravejar que a polícia não trabalha direito, sem sequer conhecer as leis presentes da retrógrada Constituição Federal, do que pressionar seu político que lhe dá esmola para mudar as leis. “Não posso cobrar dele porque suspende a minha cesta básica e um remédio contralado que tomo”. E, assim, segue a nação egoísta que só pensa no próprio umbigo. Um reflexo de boa parte dos políticos que nos representa. Sem vergonha, sem conserto e o pior, sem ressentimentos.

É da promessa

Encerro com uma análise fenomenal do país no momento, da nossa articulista Marli Rodrigues. O Brasil hoje não está nem um pouco aceitável. Está indefinido, inseguro, sem personalidade, parado, esperando o que vai dar no meio do abalo dessa já visível decepção – mas que alguns ainda violentamente teimam em não admitir, caminhando em meio aos tropeços vistos, ouvidos e executados. Mudanças esperadas que não vieram e estão com todo jeitão de que não virão, pelo menos não desse horizonte atual que foi desenhado com tanta compreensível esperança. Assim também está a nossa querida Divinópolis.

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