“Discussão interna não leva a lugar nenhum”, diz vereador

 

Maria Tereza Oliveira

Em um clima que se divergiu entre animosidade, ânimos exaltados e enaltecimentos aos homenageados da “Medalha Candidés 2019”, a reunião ordinária da Câmara de ontem começou eletrizante. Houve vereador se sentindo coagido por colega, e críticas de outros parlamentares ao excesso de ataques pessoais e falta de proposições de interesse público.

O primeiro a falar, Renato Ferreira (PSDB), já deixou os colegas atentos ao explanar uma situação em que teria se sentido desconfortável, a respeito do comportamento de um colega.  Conforme relatou o edil, na última sexta-feira, 31, o colega o abordou na porta da Câmara e afirmou ter uma denúncia contra sua esposa, afirmou ter sido coagido.

Renato pediu para que as Comissões de Administração, Fiscalização, e Justiça investigassem o caso para que a verdade seja revelada e, se caso houver culpa, que seja feita justiça.

— Parece que aqui você não pode falar a verdade, porque fazemos isso, mexemos com as pessoas. [...] Não sei isso foi para eu ser intimidado, por causa da minha fala na semana passada, mas, em todo caso, dormi com consciência tranquila — pontuou Renato.

‘Pau que dá em Chico, dá em Francisco’

Durante seu pronunciamento, Renato revelou que durante os dois anos e meio em que ocupa o cargo de vereador, já foi ameaçado de morte duas vezes.

— E nem por isso deixei de fazer meu trabalho com honestidade. A cara que eu entrei aqui no dia 1º de janeiro de 2017, será a mesma que eu sairei no dia 31 de dezembro de 2020 — afirmou.

Sobre a denúncia contra a esposa, Renato disse que ela é servidora de carreira na Prefeitura e que confia nela.

— A investigação seria importante porque “pau que dá em Chico, dá em Francisco”. Não somos intocáveis, por isso vim pedir para que a investiguem, se está errado tem de cobrar. Eu sei que ela não deve, apesar de ter sido uma denúncia muito grave — pediu.

Mais trabalho, menos denúncias anônimas

Para Renato, os vereadores precisam entender que estão na Câmara para trabalharem com respeito e dignidade.

— Acho que temos de tratar todos iguais. Na outra denúncia que o mesmo colega me contou, de acordo com ele, há dois assessores com problema na Casa. Temos de começar a ter uma conduta de trabalho. A Câmara está abarrotada de muitas denúncias, principalmente contra servidores públicos, mas é preciso de responsabilidade para trabalhar. Temos de colocar tudo em pratos limpos. Quem não deve não teme. Tem de parar com denúncias anônimas — comparou.

O presidente da Comissão de Ética, Eduardo Print Jr. (SD), aconselhou que os parlamentares façam denúncias às comissões necessárias para serem apuradas.

— Os vereadores devem usar os minutos na Tribuna para falar do mandato, ao invés de usá-los para fazer agressões pessoais à outros vereadores ou outras pessoas — lamentou.

Para Print, o primeiro passo do Legislativo é mostrar seu trabalho, sua fundamentação.

— Se há crise interna dentro da nossa legislatura, cabe aos edis fazerem ofícios para as comissões. É importante e válido ser apurado. As pessoas têm o livre arbítrio para denunciar, mas quero pedir respeito às pessoas e vereadores no plenário — acrescentou.

Eduardo ainda alertou os colegas para depois não reclamarem, caso a Comissão de Ética convide algum para prestar esclarecimentos sobre atos e palavras que forem proferidas na Câmara.

Fim dos tempos

Fazendo eco às reivindicações e conselhos de Print, Dr. Delano (MDB) afirmou que os parlamentares estão deixando de lado o papel de mostrar para a população o que estão fazendo durante mandato para fazer papel de justiça.

— Estão invertendo as coisas, mas o Renato fez bem: se sentiu coagido com a fala de um colega, usou a tribuna no horário dele, respeitosamente, e fez a denúncia. A discussão interna não leva a população a lugar nenhum — comparou.

Para Delano, algumas pessoas têm a intenção de causar “um inferno” na Casa Legislativa.

— Deixam de usar o espaço para falar sobre interesses da população. Em troca, vemos que brigas internas, sem acréscimo nenhum para a população estão sendo protagonistas. As pessoas precisam ter espaço e o limite. É o fim dos tempos — lamentou.

Cansados de briga

Quem também comentou o tema foi o presidente da Câmara, Rodrigo Kaboja (PSD), que, em seu pronunciamento, pediu para que os parlamentares façam mais propostas positivas e construtivas.

— Vou fazer uma sugestão para a Comissão de Ética: que sejam apresentadas mudanças no Código de Ética. Porque é vergonhoso o que estamos vendo aqui na Câmara. São agressões. Nós não somos invioláveis. Não podemos aceitar agressões a um companheiro. É levar para o Conselho de Ética e ser duro. É advertência e suspensão — propôs.

Kaboja afirmou que a população está cansada de brigas e de não ver proposições para o Município.

— Quando não é Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), é agressão. O povo está cansado. Vamos repensar com serenidade e respeito com todos. O povo quer que aporte nesta Casa um projeto que ajude a população, que gere emprego — sugeriu.

Para Marcos Vinícius (Pros), é necessário fazer um pacto por um novo tempo para Divinópolis.

— Essa renovação [de vereadores] que já foi gritante em 2016 deve se mostrar ainda maior. O fato é que as pessoas não querem mais briga, querem ações concretas, atitude — salientou.

Muitas medalhas e nenhum projeto

A reunião de ontem, assim como a da última quinta-feira, 30, não teve projetos em sua pauta. Em compensação, em ambas as oportunidades, houve entregas de moções congratulatórias ou medalhas.

Na semana passada foi entregue moção congratulatória. Já ontem, para celebrar os 107 anos Divinópolis, foi promovida, pela 41ª vez, a Sessão Solene para entrega da “Medalha Candidés 2019”.  

Durante a reunião, diversos vereadores aproveitaram para enaltecer seus homenageados.

 

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