‘Dez vigilantes foram mortos em eventos nos últimos 7 anos’, alerta profissional

Roberto Ribeiro lembrou da morte de Edson e pediu ajuda dos vereadores para trazer dignidade para a classe em Divinópolis

Bruno Bueno

A morte do segurança Edson Carlos Ribeiro, 42, que faleceu em um evento no Parque de Exposições na noite do último dia 25, voltou a repercutir na Câmara de Divinópolis. O profissional e professor da área, Roberto Ribeiro, usou a Tribuna Livre na tarde de ontem para falar sobre o caso e a classe de seguranças na cidade. Durante sua fala, ele revelou que dez vigilantes foram mortos em eventos de Divinópolis nos últimos sete anos.

— Foi um caso particular para nós. O vigilante que faleceu estava conosco desde o primeiro dia da sua formação. (...) É terrível assistir e observar que muitas coisas poderiam ter sido feitas. Em Divinópolis nós temos a estatística que nos últimos sete anos baixaram dez vigilantes só na nossa cidade. Estavam trabalhando — disse.

 

Destacou

No começo do seu pronunciamento, Roberto destacou o trabalho dos profissionais da segurança privada.

— O agente de segurança privada é responsável direto pela vida de muitas pessoas. Veja nesta Casa: a PM não está, mas nós temos os nobres vigilantes. Muitos eventos de atentado e agressão contra os senhores são inibidos pela mera presença dos profissionais. A maioria dos criminosos, antes de atentar contra alguém, pensa na segurança do local — afirmou.

 

Emocionado, ele também enfatizou que quando um segurança morre protegendo a vida, o peso da dor é dobrado.

— Ao longo da minha carreira eu convivi com diversos profissionais. Alguns partiram por doenças naturais. (...) Mas, quando ele desce à sepultura porque estava protegendo a vida, o peso é dobrado. (...) Eu vim nesta Casa oferecer assistência para que a gente não passe pela mesma coisa que ocorreu no último dia 26 — ressaltou.

 

Alerta

Mais do que lembrar, Roberto usou seu pronunciamento para alertar. O professor lembrou de leis que amparam os vigilantes e destacou que as empresas devem se credenciar para contar com a mão de obra.

— É um momento de alerta para nós. Não temos que somente fornecer apoio para a família, mas também pensar naqueles que estão ativos e nos que vão ingressar. (...) Existe a legislação federal 7.102/83 que diz que a segurança privada deve ser estabelecida através de empresas credenciadas ao Ministério da Justiça. Não é qualquer empresa que pode efetuar o trabalho — salientou.

 

O segurança também pediu atenção dos vereadores para fiscalizar o cumprimento das leis na cidade.

— Temos também as leis 8.863, 9.017 e a portaria 3233 da Polícia Federal que trazem mais critérios para a conclusão desses trabalhos. Peço a essa Casa que redobre a atenção, pois, com o passar dos anos, os profissionais de segurança têm reclamado acerca da ilegalidade destas empresas que trabalham na cidade — solicitou.

 

Circunstâncias

O profissional disse que a morte de Edson é, infelizmente, algo comum. Ele questionou sobre quais circunstâncias o evento ocorreu e perguntou o motivo de não haver uma ambulância no local para atender o homem que, conforme laudo médico, morreu após sofrer um mal súbito.

— Os eventos sempre trazem seus riscos. O que foi visto no dia 26 é algo comum. Tem que se pensar na estrutura do local. Segurança privada não se limita aos profissionais, mas também se estende ao espaço. A segurança não é só para quem vai aproveitar a festa, mas também para quem trabalha. (...) Nós precisamos analisar em quais circunstâncias esse evento aconteceu. Será que havia uma ambulância no local que poderia atendê-lo prontamente? — enfatizou.

 

Ele finalizou seu discurso dizendo que agradece pela volta dos eventos após a pandemia, mas entende que o retorno deve ser feito de forma segura para que não aconteça um novo “caso Edson” na cidade.

— Temos que agradecer a Deus porque os eventos estão voltando. Os produtores têm que recuperar o que perderam na pandemia. Porém temos que assumir isso com responsabilidade para que não tenhamos um novo caso Edson. (...) Para finalizar: esse pessoal que trabalha à noite, às vezes ganhando 85 reais por 15 horas de serviço, usa o dinheiro para  comprar o frango de domingo, pagar a conta de luz e outras coisas. Olha o valor que nós concedemos para ele — finalizou.

 

Repercussão

O pronunciamento de Roberto gerou enorme repercussão positiva nas redes sociais. Durante o andamento da reunião, vereadores como Lohanna França (CDN), Roger Viegas (Republicanos), Ana Paula do Quintino (PSC) e outros destacaram o pronunciamento do segurança e reafirmaram a necessidade de fiscalizar as leis que protegem a classe no município.

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