'Cinema Falado' destaca filme '120 Batimentos  por Minuto'

Otávio Paiva
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LANÇAMENTOS DA SEMANA

120 BATIMENTOS POR MINUTO (120 BATTEMENTS PAR MINUTE). FRANÇA. 2017. DIR.: ROBIN CAMPILLO. ELENCO: NAHUEL PÉREZ BISCAYART, ARNAUD VALOIS. DRAMA. 143 MIN.
O diretor Robin Campillo segura literalmente a câmera na mão para nos mostrar um momento difícil que a humanidade viveu com o advento da aids, na visão de um grupo chamado ACT UP, grupo esse francês, que promoveu várias campanhas não-violentas para alertar o governo quanto à prevenção e o tratamento da doença nos anos 90. Acompanhamos assim vários membros do grupo, cada um carregando uma bandeira do movimento, enfrentando o preconceito vindo de fora e as divisões vindas de dentro e mesmo assim continuando na luta para confortar os doentes e ainda tentar sobreviver, já que a maioria está infectada. O único senão desse filme é quanto à sua duração, já que muitas coisas não precisavam ser cobertas, mas a visão que saímos ao final é do caráter humanitário que perpassa por toda a filmagem, e na urgência que temos para descobrir a cura dessa doença que tem devastado até hoje inúmeros lares em todo o planeta.

UMA VIAGEM PARA ESPANHA (THE TRIP TO SPAIN). REINO UNIDO. 2017. DIR.: MICHAEL WINTERBOTTOM. ELENCO: STEVE COOGAN, ROB BRYDON. COMÉDIA. 108 MIN. 
Bom filme para quem curte a gastronomia e está seguindo o périplo que o diretor Michael Winterbottom tem feito nesse seu terceiro filme, depois de “A Viagem” e “A Viagem a Itália”, onde podemos aproveitar e também curtir a paisagem exuberante da Espanha ao lado dos atores Steve Coogan e Rob Brydon, que passaram por lugares como o País Basco, Cantábria, Aragão, Rioja, Castela La Mancha finalizando a viagem por Andaluzia. Acompanhamos a história de ambos os atores com alguma pitada biográfica, onde Steve está escrevendo um livro enquanto Rob faz críticas gastronômicas, e durante a viagem eles nos divertem com caracterizações de artistas de todos os matizes, mas o efeito que nos passa ao fim é de um certo tédio, que é minorado pela beleza da comida e da paisagem espanhola. 

CEM ANOS DE INGMAR BERGMAN

A FONTE DA DONZELA (JUNGFRUKÄLLAN). SUÉCIA. 1960. DIR.: INGMAR BERGMAN. ELENCO: MAX VON SYDOW, BIRGITTA VALBERG, GUNNEL LINDBLOM. DRAMA. 89 MIN.
No último dia 14 de julho de 2018 celebramos o centenário do genial diretor sueco Ingmar Bergman, autor de dezenas de filmes que marcaram a cultura mundial e que até hoje impactam as audiências pelo mundo afora, e aproveitando a efeméride fui rever alguns de seus clássicos, a começar por esse drama passado na Idade Média onde o diretor homenageia o magistral diretor japonês Akira Kurosawa. Acompanhamos a história de Karin (Birgitta Pettersson), uma garota virgem que é convocada pelos pais a levar algumas velas para ofertar à Virgem Maria na festa da aldeia, mas no caminho encontra três irmãos pastores, um menor de idade, e os dois outros a estupram e a matam. Sem saber eles acabam pedindo guarida na casa dos pais dela para passarem a noite, e quando os pais descobrem o ocorrido, vão planejar uma vingança contra os estupradores. Um filme assustador que discute o mal, o estupro, a relação nossa com Deus, a vingança e o arrependimento, onde somos convocados para tirarmos nossas conclusões sobre a vontade divina e sobre o nosso papel em meio a tantas religiões que ocupam nossa existência. Um filme que a cada vez que vimos mais nos traz interrogações e perguntas, um verdadeiro soco no estômago da humanidade.

MÚSICA DA SEMANA

Enquanto escrevia essa coluna fui curtir a nova antologia da obra de Graham Nash, membro do famoso grupo Crosby, Stills, Nash & Young, com essa coletânea de nome “Over The Years”. Música da semana: “I Used To Be a King”.

 

 

 

 

 

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