‘Caiu como uma bomba’

Aparentemente uma “urucubaca” atingiu a Cidade Administrativa, e parece que não ter pressa de ir embora. De uns tempos para cá, o chefe do Executivo mineiro está cometendo algumas “navalhadas” e isso está preocupando boa parte dos mineiros. Mesmo dizendo aos quatro cantos do mundo que o Estado está quebrado, que não tem dinheiro para pagar os vencimentos em dia, nem o 13º e dar reajuste a todas as categorias, o governador Romeu Zema (Novo) enviou para votação, em fevereiro deste ano, à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o polêmico projeto de lei que concede revisão salarial de 41% aos servidores da Segurança Pública. Eis que, depois de uma batalha travada entre os funcionários da Segurança e os demais servidores – que reivindicavam que o reajuste fosse estendido a todas as categorias – os deputados estaduais e o Poder Executivo, a proposta foi aprovada.

Até aí tudo bem. Muitos acharam. Mas o fato é que: como um Estado quebrado consegue arcar com tal reajuste tendo parte do seu funcionalismo ainda aguardando o pagamento do 13º salário e boa parte de servidores recebendo seus vencimentos parcelados? A situação era no mínimo questionável, pois, além de tudo isso, o Governo enfrenta ainda as greves nas escolas, que a cada dia têm mais adesão. Depois de tudo isso, a grande expectativa era: Zema vai vetar ou sancionar o reajuste dos servidores da Segurança, estendido aos demais servidores? O suspense acabou nesta quarta-feira. O governador e concedeu 13% de revisão salarial aos funcionários da Segurança Pública, menos da metade do prometido e vetou reajuste às demais categorias. O que deixou a entidade que representa a classe possessa. Associação de Praças Policiais e Bombeiros Militares (Aspra), diz que a decisão caiu como uma “bomba” e o governador traiu a segurança. Logo após o anúncio, Zema comunicou ontem que vai pagar o 13º salário aos servidores que recebem entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil, deixando 17% do funcionalismo sem previsão de quando vão receber o benefício, que, pela lei, deveria ter sido pago em dezembro.

Aparentemente, a situação caminha para desdobramentos ainda piores. Em nota, o Governo do Estado disse que a decisão de vetar o reajuste às demais categorias e conceder 13% à Segurança Pública foi “tomada levando em consideração uma análise profunda, criteriosa e responsável acerca do cenário financeiro do Estado e dos desdobramentos econômicos do país”. O Governo do Estado justificou ainda que, caso o percentual reivindicado fosse sancionado, a adesão do estado ao Regime de Recuperação Fiscal seria inviabilizada. A situação deixa qualquer um apreensivo. De um lado, Minas Gerais tem milhares de alunos em casa, pois seus professores estão nas ruas lutando pelos seus direitos. De outro, temos os servidores da Segurança Pública, que merecem, sim, o reajuste, afinal, colocam suas vidas em risco todos os dias. Do outro, tem-se 17% de servidores sem 13º e sem previsão de recebimento. Isso sem contar a promessa de quitar o benefício com a venda do nióbio, que não ocorreu devido ao coronavírus ter afetado o mercado econômico mundial.

Nesta situação, em que Minas Gerais caminha, os governantes parecem não ter um “plano de voo”, a única saída talvez seria pedir para o governador ir benzer. Afinal, a “urucubaca” que parece estar com ele está atingindo milhares de pessoas em todo o estado.

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