É burrice

Preto no Branco

É burrice 

Lembro-me como hoje de, ainda criança, quando minha querida avó materna sempre soltava: “Quem fala muito, dá bom dia a cavalo". Ficava intrigada, tentando entender o que ela queria dizer. Afinal, cavalos não falam. Curiosa como sempre fui, indaguei para ela umas três vezes para, finalmente, chegar a uma conclusão do que estava querendo dizer. Em Divinópolis, nos últimos tempos, nem só cavalo, mas diria todos os animais colocados na arca de Noé. Um vídeo atrás do outro e, com eles, manotas e vergonha para mais de metro. Até que quando vem de pessoas comuns, ok, ninguém é obrigado a saber de tudo ‒ o que não significa que não tem que pesquisar e se inteirar do assunto antes de clicar na tecla publicar. Agora, da boca de representantes públicos ou de pessoas inseridas na política ou que já estiveram, aí é dose. Nesta semana, Divinópolis, por dois dias, é destaque nacional de forma negativa exatamente por causa de vídeos desse nível. E olha que não é a primeira vez. “Pera” aí, gente! Ninguém nunca avisou a vocês que persistir no mesmo erro é burrice?   

Tarde demais 

Mesmo antes dos vídeos ganharem notoriedade, os autores ‒ não vou aqui citar nomes, porque dispensa ‒  gravaram outros se retratando. Infelizmente, tarde demais. A besteira já estava feita, tinha se espalhado, críticas e respostas rebatendo também. Com toda essa repercussão negativa, será que, finalmente, vão aprender a lição? Prefiro apostar que sim, mas, como foi dito, não é a primeira vez, por isso, sempre se fica com uma pulga atrás da orelha. E tem mais. Para tolices como essas, não existem vacinas ‒ e, mesmo que tivesse, nem a mais potente daria conta de produzir anticorpos para frear as línguas. 

Para todos? 

Depois de passar por modificações, a proposta que acaba com os supersalários para os servidores públicos em todas as esferas da administração pública nos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário vai ser votada novamente pelo plenário do Senado. O relator, o deputado Rubens Bueno, diz que a expectativa é de uma economia da ordem de R$ 2,6 a R$ 3 bilhões por ano nas contas públicas. O parlamentar ressalta que as regras vão valer para todos e, caso sejam descumpridas, haverá punição. Certíssimo. Já passou da hora, porque a desigualdade neste país é gigantesca. Mas é para todos mesmo, como afirma o nobre deputado? Como era de se esperar, sua classe, que causa um rombo milionário nos cofres públicos, ficou de fora. E não seria diferente. Quem iria abrir mão de um salário semelhante ao de um procurador de Justiça somado às mordomias que passam de mais de R$ 100 mil por mês? E mais: perder um salário gordo ao se aposentar? Exigir esse “milagre” para quem não vota nada sem primeiro pensar no próprio umbigo seria querer demais. 

Vergonha alheia 

Enquanto isso, aqui pelas bandas de Minas Gerais, um Projeto de Lei Complementar (PLC) que cria novas gratificações salariais para procuradores e promotores e seus herdeiros está pronto para ser votado em definitivo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ‒ mesmo com os dados do Portal da Transparência do Ministério Público escrachando que os vencimentos dos procuradores e promotores variaram, em maio, de cerca de R$ 32 mil a R$ 67 mil. O projeto, de autoria do procurador-geral da Justiça, Jarbas Soares Júnior, já foi aprovado em 1º turno e também recebeu parecer favorável na Comissão de Administração Pública da Casa nesta semana. Agora segue para votação em segundo turno e pode ser aprovado hoje ou amanhã, antes do recesso. Emendas de deputados contrários ao PLC foram rejeitadas. Fica-se por entender por que a concessão de benefícios, especialmente em um momento tão difícil, só é dada para quem não precisa. E o povo, que paga tudo isso? Boa parte não recebe nem um salário mínimo e é obrigada a engolir tamanha bajulação. Ou seria por outros motivos? Para um bom entendedor...

Foi contra 

Entre as medidas que constam no projeto está a possibilidade de herdeiros de promotores e procuradores, que já morreram, receberem, além da pensão por morte, assistência médico-hospitalar, mediante indenização dos valores pagos, limitada a 10% do valor do benefício. O PLC também prevê gratificação para plantões nos fins de semana, mesmo os procuradores e promotores já tendo 21 benefícios, gratificações e indenizações. Pode isso, Arnaldo? Para registro, o deputado Cleitinho Azevedo (CDN) fez duras críticas ao projeto e votou contra. 

 

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