É aqui mesmo?

Eis que em 2015 uma recessão – sem fim – chegou ao Brasil. A economia desacelerou, o desemprego aumentou, e o mais afetado com tudo isso foi o pobre. Consequentemente, com a taxa do desemprego subindo, menos pessoas estavam comprando e, com isso, os governos estavam arrecadando menos. Os governantes que deveriam dar conta de reverter essa situação, não deram, e logo em seguida eles começaram a ser atingidos por sua própria incompetência. Em 2016, um grupo de políticos prometeu que com a saída da então presidente do Brasil, Dilma Rousseff (PT), o seu vice, Michel Temer (MDB) assumiria e o país sairia da tal crise. Bom, Michel Temer entrou e saiu, e o Brasil continua mergulhado em uma crise sem fim. Cada dia mais e mais pessoas entram para as estatísticas do desemprego, e a cada dia é menos gente consumindo. Quem antes pagava uma lavanderia, hoje lava as roupas em casa. Quem antes comprava produto A, hoje compre produto B. Os brasileiros tiveram que se reinventar para não morrer de fome.

Por falar em fome, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgada no final de 2018, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2016 havia no país 52,8 milhões de pessoas em situação de pobreza no país. Este contingente aumentou para 54,8 milhões em 2017, um crescimento de quase 4%, e representa 26,5% da população total do Brasil, estimada em 207 milhões naquele ano (em 2016, eram 25,7%). Com a pobreza aumentou, e o consumo diminuiu, os poderes arrecadam cada vez menos impostos do povo. Mas, com tudo na vida tem um jeito, há sempre um jeito de se arrancar mais dinheiro da classe trabalhadora. E, enquanto a classe trabalhadora se vira para não morrer de fome, a classe política continua se esbaldando. Aliás, para esta classe parece que a crise econômica nunca chegou.

Os deputados continuam usufruindo de todos os auxílios possíveis e impossíveis, os juízes continuam com os seus aumentos e os seus lanches carésimos, como se não houvesse milhões voltando para a linha extrema de pobreza, e os vereadores – ah! Os vereadores – eles continuam com os seus salários altíssimos, com os seus aumentos todos os anos e recebendo em dia. Isso mesmo. Prova disso foi o aumento dado pelo presidente do Legislativo municipal aos seus colegas e aos servidores da Casa, no valor de 4,59% de aumento, ou melhor, como eles gostam que seja chamado, de reajuste. Os já (gordos) salários dos parlamentares passaram de R$ 11.064,55 para R$ 11.572. É parece que a crise não chegou ao Poder Legislativo. Parece também que eles estão muito longe de entrar para a linha da pobreza.

Tal atitude só mostra de verdade quem são os representantes do povo. Só mostra quem é quem neste jogo onde o pobre é usado apenas para que o político chegue, ou permaneça no poder. Dizem por aí, que tem uma crise muito feia acontecendo lá fora. Dizem por aí que milhares de pessoas estão passando fome, e outras milhares passam o dia a procura de emprego. E quem deveria se preocupar com isso está como? Recebendo o seu gordo salário, com o seu reajuste anual garantido por lei e vivendo como se a crise fosse em outro país. Na Venezuela, talvez.

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