“A Guerra do Macaco com a Onça”

 

Jorge Guimarães

A literatura de cordel, importante modalidade da literatura popular, está em alta. No último dia 19, passou a ser reconhecida como patrimônio imaterial cultural brasileiro.

Coincidindo a notícia aguardada por diversos autores, o editor divinopolitano, Juvenal Bernardes, lança seus primeiros livretos de cordel. Trata-se da coleção “A Guerra do Macaco com a Onça”, com cinco livros recontando as tradicionais aventuras envolvendo a onça e o macaco, livremente adaptados pelo autor. Nessas histórias, a onça (símbolo da força bruta e da estupidez violenta e enérgica) se vê às voltas com as malandragens do macaco – símbolo da esperteza e da criatividade ingênua do povo brasileiro.  O resultado são histórias divertidas, mas que ao mesmo tempo abordam importantes valores. O lançamento acontece no próximo dia, na Casa Arte e Cultura (rua Piauí 1231, bairro Sidil), a partir das 19h.

Público infantil

Voltados para o público infantil, os livretos trazem informações importantes sobre o cordel, como os nomes das estrofes, da metrificação adotada e outras curiosidades específicas desse gênero literário. Além disso, são ricamente ilustrados por um dos mais promissores nomes da ilustração literária: Denyse Neuenshcwander, mineira radicada na Bélgica e que já assinou a ilustração de Aldebarã, livro de estreia de Juvenal Bernardes.

Escritor e poeta

Conhecido por seu trabalho como palhaço, contador de histórias, escritor e poeta, Juvenal Bernardes se lança, agora como editor. Para a publicação de seus livretos, criou o selo “Manuguita Edições”. Outra curiosidade é o fato da coleção “A Guerra do Macaco com a Onça” ser assinada por Juvenal Verdades, pseudônimo criado pelo autor exclusivamente para sua produção de cordel.

Cordel

Cordel é um gênero da poesia popular muito comum no Nordeste e Norte do Brasil. Geralmente os livretos são impressos em folhetos simples, contendo poemas de ritmo marcante, com esquema de rimas e metrificação bastante rigoroso. Os livretos são ilustrados através da técnica da xilogravura. Muitas vezes, os versos de cordel são cantados ou recitados de maneira bem peculiar pelo próprio autor, em feiras e ruas para, com isso, atrair os potenciais compradores. O nome “cordel” remonta a uma tradição medieval portuguesa de expor folhetos impressos pendurados numa fina corda. Em tempos de cibercultura, o cordel invade as mídias sociais e, como um camaleão, se adapta às novas plataformas de publicação.

 

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